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EDITORIAL

NO LIMITE...

Alex Pussieldi
Publicado em 25/03/2008

A relação treinador-atleta tem várias características interessantes. Uma delas é o fato de que é função do técnico levar o seu atleta até o seu máximo. Isto parece até óbvio, mas este máximo representa um máximo não só de performance, mas de atitude, de determinação, de perserverança, de qualidade, de perfeição. Assim, fazer alguém chegar perto disso não é nada fácil, e muito menos prazeiroso.
Por esta briga, e literalmente briga, incessante em fazer nosso atleta mais rápido, estamos sempre nos indispondo, e criando certos conflitos quase que diários na busca deste objetivo: o limite!
Entender este processo, e principalmente aceitar, vai ajudar aos treinadores a compreender melhor a sua profissão e missão. Existe um filme chamado “Unfiltered” que é a disputa entre as carreiras de Michael Phelps e Ian Crocker desde a sua formação até o ano de 2005. Lá no filme, um determinado conflito entre Bob Bowman e Michael Phelps chega ao máximo com Phelps sendo colocado para fora do treino. O motivo foi o fato do nadador não estar correspondendo a expectativa de Bowman.
A tarde, no mesmo dia, Phelps chega para treinar todo cabisbaixo, não fala com ninguém, pula na água, e começa a treinar.  Ao final do treino, ele já está mais solto, e voando.
Bob Bowman fala, no filme, exatamente o motivo de todo este conflito; “Minha função é levá-lo ao limite, mesmo que isso gere estes conflitos”.
Eu também vi no ano passado, o polonês Mateusz Sawrymowicz treinando aqui na pisicna do Pine Crest. O fundista recebia broncas diárias do seu técnico e chegou até ser colocado para fora. No dia que foi campeão mundial dos 1500 em Melbourne, a primeira coisa que ele falou foi: “Eu tenho o melhor treinador de fundo do mundo”.
Saber conciliar e administrar estes conflitos não é fácil. Saber levar o seu atleta ao máximo de exaustão e performance requer a habilidade de ser maleável, mas também duro quando for necessário.
Nossa função (de técnico) é poder administrar esta relação com o objetivo de se chegar ao máximo e ciente de que estes conflitos acontecerão. É nossa função também saber administrar os maus resultados dentro de um planejamento. Isso faz parte e se o atleta não estiver bem preparado para isso, os reflexos podem ser bem maiores do que um simples acidente de percurso.
É assim que entendo a relação de Fernando Vanzella e Thiago Pereira no caminho para Beijing. Vanzella está levando Thiago ao limite, consciente e com planejamento. Como o atleta não conseguiu produzir no Sul-Americano, nada melhor do que um ajuste e um melhor encaminhamento para outro plano.
Thiago estava mentalmente cansado no Sul-Americano. Estava no seu limite, e isso foi determinante para a mudança dos planos.
Voltando ao filme “Unfiltered”, tem uma hora que o treinador Eddie Reese do Ian Crocker fala um negócio bem interessante: “80% dos atletas gostam de ganhar. 20% dos atletas odeiam perder. A equipe olímpica americana vem toda destes 20%”.
E Thiago é assim, ODEIA PERDER.
 
Alex Pussieldi, é editor chefe da Best Swimming Inc., Senior Coach do Pine Crest Swim Club nos Estados Unidos.

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OBSERVAÇÃO: A publicação ou permanência deste texto poderá ser vetada a qualquer momento pela direção da Best Swimming


Quem já comentou...

30/03/2008 09:07:25 » Fabrício P. Costa

Adoraria assistir a este filme "unfiltered" com meus atletas, que confundem cobrança com "pegar no pé", me tornando a pessoa mais chata do mundo em vez de levar o atleta no seu limite. De duas, uma: ou sou muito exigente, ou os atletas são muito "moles". Parabéns pelo artigo. Sucesso sempre

27/03/2008 13:07:12 » Wlad

Ola Pussi, muito bom o artigo. Parabéns. Wlad www.paineirasnatacao.blogspot.com

27/03/2008 01:01:27 » Murilo Santos

Caracas Alex passei esse filme hoje para os meus atletas rsssss


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